#138: Bom o suficiente é bom o suficiente
Este não é um texto somente sobre hábito alimentar!
Nos últimos anos, eu venho “tentando” perder os quilinhos remanescentes que ganhei durante o burnout. “O envelhecimento e os hormônios quebraram o meu metabolismo!“, reclamei para amigas e médicos. Mas, recentemente, vasculhando pastas antigas com as fotos de uma Tatiane bem mais magrinha, refiz na mente como era a minha rotina.
Eu era Ayurveda raiz. Fazia jejuns prolongados e duas refeições por dia, como manda a regra. Não tinha manteiga em casa. Raramente comia queijo. Mal colocava açúcar na boca. Era vegetariana. Eu não tinha nenhum “mau hábito” alimentar.



Eu vivia assim, pois era assim que eu me sentia bem. Não no sentido estético, mas eu vinha de uma vida anterior muito desregrada, com muitos mal-estares crônicos e um intestino muito sensível. Um pouco de queijo e eu já ficava estufada e me coçando toda.
O burnout veio quando minha rotina de alimentação saudável já estava mais do que estabelecida e, com ela, minha saúde intestinal — que é tu-do! Magicamente, as barras de chocolate e pizzas que passaram a fazer parte da minha rotina numa época de baixa saúde mental não me faziam mais mal.



Se a Tatiane terapeuta ayurvédica avaliasse a alimentação da Tatiane do presente, haveria certamente uma lista de ajustes importantes. Mas a Tatiane do presente dá “check” — com louvor — no checklist de saúde da terapeuta ayurveda:
✔️ Energia e disposição ao longo do dia inteiro — sem café;
✔️ Intestino funcionando (maravilhosamente) bem todos os dias;
✔️ Sem estufamento ou gases após as refeições e durante o dia;
✔️ Menstruação fácil;
✔️ Imunidade alta;
✔️ Uma mente contente.
Antes, eu me alimentava de forma 100% saudável. Hoje, 80%, mas aqueles 20%…



Não me avalio como menos saudável hoje em dia — tampouco acho que faço menos pela minha saúde.
Veja, é muito fácil se deixar medir pela régua do outro.
É muito fácil correr atrás de objetivos quaisquer sem parar para pensar se fazem sentido para si.
Quantos quilos a menos na balança você precisa ver?
Quanto de dinheiro precisa ter na conta?
Quantas viagens internacionais precisa fazer?
Quantos diplomas?
Quantas roupas no armário precisa ter?
Quão perfeita precisa ser sua rotina de saúde?
A resposta não pode ser “quanto mais, melhor!”, pois assim a vida vira uma rodinha de hamster. Exaustivo.
A resposta está no que você valoriza e no que quer para si.
Assim, eu parei de encasquetar com os quilinhos a mais. Pois eu alcancei tudo o que eu queria quando comecei a estudar saúde anos atrás. Puro Ojas.
Bom o suficiente é bom o suficiente.
Faça uma boa semana.
Bisous,
Tati



Eu te entendo completamente. No entanto, ainda tem me afetado não conseguir "voltar ao corpo de antes". Como comida todo dia, janto mais leve (antes batia pratã às 20h) e não sou de beliscar, mesmo assim não vejo mudança efetiva no peso. Enfim, uma luta constante entre aceitar o que se tem e se arrepender de ter permitido chegar a esse lugar.
Deixar de nos medir pela régua dos outros é um passo importante para definirmos qual ritmo de vida queremos viver. Obrigado.