#136: Duas conversas e uma constatação: muita gente vive de ilusão
E isso pode ser um perigo!
Na filosofia védica, existe um conceito chamado Maya, que nos ensina que aquilo que percebemos como realidade está sempre filtrado pela nossa mente condicionada: pelos nossos medos, crenças, apegos e experiências passadas. Maya é o véu que cobre os olhos. E quanto mais grosso esse véu, menor o mundo que a gente consegue enxergar.
Esse pensamento martela na minha cabeça todos os dias. É algo que eu ativamente trago para a minha prática de autodesenvolvimento; noto claramente a diferença que isso faz na minha capacidade de lidar com os problemas da vida. Os filtros que a gente carrega não ficam apenas na cabeça. Eles se refletem nas nossas decisões, na nossa saúde, na forma como a gente se relaciona, na forma como a gente avalia o que é possível para a própria vida.



Duas conversas e uma constatação: muita gente vive de ilusão
Olha, rimou!
Recentemente, eu tive duas conversas que me chamaram muita atenção — não pelo conteúdo em si, mas porque ambas foram exemplos muito claros de como a gente pode estar olhando diretamente para um fato e simplesmente não conseguir vê-lo.
A primeira. Eu estava com três pessoas que trabalham na mesma empresa de tecnologia. Uma empresa que, nos últimos quatro anos, acumulou sinais óbvios de contração: layoffs constantes e sobrecarrega de trabalho para os que ficam. Eu perguntei, como pessoa que ama falar de trabalho: qual é o plano B de vocês?
A resposta fou unânime e veio em camadas. “Não conseguimos ter um plano B, pois a gente ama muito o que faz.” “A gente tem benefícios incríveis.” “A gente está há mais de 20 anos aqui.”
Eu tentei reformular a pergunta de vários ângulos, tentando encontrar a porta de entrada certa. Mas não consegui. Porque o que estava bloqueando não era falta de informação. Era o filtro. O amor pelo trabalho, os benefícios, o tempo de casa — esses elementos reais e legítimos estavam sendo usados inconscientemente para não enxergar um outro fato igualmente real: a empresa está encolhendo, e eles podem ser os próximos. E sem plano B.



A segunda. Outra conversa, outro tema: inteligência artificial. A pessoa era completamente contra. “Tem que parar. Não pode continuar. Está roubando empregos, emburrecendo as pessoas.” Eu concordei, mas respondi baseada no que acredito (com o meu filtro): ela já existe. Não há como desfazer isso — a única saída real é regulamentação, não negação.
A pessoa continuou: “Mas eu acho que não pode. Tem que parar.”
O desejo de que algo não existisse negou a realidade do que de fato existe.
Tem que fazer o trabalho sujo
Você me conhece o suficiente para saber que eu não conto esses exemplos numa postura de superioridade. Eu tenho um milhão de vieses e preconceitos. Eu enxergo as coisas pelo meu ângulo todos os dias. Eu reclamo. Mas o que eu me esforço para fazer — e é um esforço diário, consciente — é me vigiar. Observar se estou tomando uma decisão baseada no que eu quero ou acho que seja verdade, e não no que é verdade.



Esse trabalho é duro. É mais uma tarefa a dar conta. Admito que é um gasto mental enorme se lapidar o tempo todo. Mas é esse o tipo de trabalho que me fez sair de uma infância pobre e desenhar a vida que eu levo hoje. Me fez sair de um estilo de vida doente, para ter a rotina de saúde que eu vivo há mais de dez anos.
Esse trabalho duro muda tudo.
Muda a qualidade das decisões. Muda a forma como a gente avalia os riscos. Muda a saúde — porque boa parte dos estados físicos e emocionais que a gente carrega vêm de narrativas que a gente acredita ser realidade, mas que são apenas filtros.
Você se acha indisciplinada e que é um caso perdido, e por isso não consegue ter uma rotina saudável?
Sei.
Muda a relação com outras pessoas — porque quando a gente consegue sair do próprio ângulo, a gente para de se sentir ameaçada pelo ângulo alheio.



O antídoto não é negar o mundo — é ver com mais clareza. É ampliar o olhar. É ampliar a si mesma.
E ampliar o olhar não é uma habilidade que a gente tem ou não tem. É uma prática. É escolher, todos os dias, se perguntar: eu estou vendo o que está aqui, ou estou vendo o que eu gostaria que estivesse aqui?
Essa pergunta, repetida com honestidade ao longo do tempo, é uma das práticas mais poderosas para criar a vida que a gente quer viver.
Passe 3 meses comigo e tome as rédeas da sua saúde
Eu, você e mais algumas (poucas) mulheres, que também estão decididas a viver uma vida de bem-estar + encontros quinzenais + acompanhamento de pertinho no WhatsApp + ferramentas exclusivas. Vamos começar ainda em abril!
Cadastre o seu interesse no formulário abaixo e eu entrarei em contato com as informações. Se você já preencheu o formulário, logo mais eu apareço na sua caixa de entrada; estou mandando as informações individualmente, então, levo um tempinho! 🙂
Faça uma boa semana.
Bisous,
Tati



Tati, não lembro se eu já preenchi o formulário ou não. Acho que sim, mas não sei..