#125: Eu Quarentei!
Intencionalidade e a contagem regressiva para a única vida que eu tenho
No meu fone enquanto finalizo o texto:
No sábado passado, eu completei 40 anos. E eu já te disse que tô achando envelhecer um horror! Mas agora, que os quarenta chegaram, eles parecem menos assustadores do que pareciam ser.
Às vezes, a gente dá mais importância para as coisas do que elas de fato merecem.
Nos últimos 2 anos eu passei a ver, assustada, os primeiros sinais de envelhecimento do meu corpo enquanto via o fim triste da vida de idosos da minha família; o tema “envelhecer” ficou muito amplificado.



Eu não conseguia evitar me olhar no espelho e me sentir um fracasso. Era como se cada ruga e cada fio de cabelo branco esfregassem na minha cara:
“Olha aí, Tatiane, você não fez e nem alcançou nem um décimo do que você quer para a sua vida, e a juventude já passou. Sua vida não está como você gostaria que estivesse. Você deixou a juventude escorrer pelos dedos e agora já é muito tarde para muita coisa.”
Eu vinha muito decepcionada comigo, com muitas das minhas escolhas de vida. Os últimos anos foram puxados.



London Calling
Meu marido organizou uma viagem surpresa para comemorar meu aniversário. Ele só me mandou bloquear 4 dias na agenda e não me disse nada.
David Bowie, meu artista preferido de todo o universo desde que eu tenho 6 anos de idade, morreu há 10 anos, no dia do meu aniversário. Quando chegamos à estação de trem e eu vi que embarcaríamos para Londres, imediatamente entendi que seria uma viagem temática!



Assistimos a um documentário sobre os últimos anos da carreira do Bowie num bar subversivo onde tinha uma sala de cinema, andamos por lugares que Ele andou, e o ápice foi assistir Labirinto (se você nunca assistiu, assista!) numa casa de espetáculos com gente fantasiada e todo mundo cantando e reagindo ao filme juntos. A minha criança de 6 anos vibrou demais!




Eu me conectei tanto com a cidade, e fiquei tão inspirada por tudo que vi, que a lista de coisas que eu ainda quero fazer só aumentou. Em todos os meus dias lá, eu me senti muita empolgação pela vida e por todas as possibilidades que eu sei que tenho.



No trem, já voltando para Paris, eu senti que uma chavinha virou. Eu entendi que, aos 40 anos, ainda tão jovem e cheia de energia, se eu tivesse com a vida toda conquistada, se eu tivesse dado check em tudo que eu quero fazer e viver, eu morreria de tédio.
Imagina acordar todas as manhãs e não ter mais nada a almejar?





E eu entendi também que as rugas não estão esfregando na minha cara o meu fracasso pelo tempo perdido. Elas estão escancarando que o tempo passa — e que passa muito rápido.
Quando a gente é jovem, acha que tem todo o tempo do mundo. Mas a gente não tem.
As minhas rugas tão me mostrando a contagem regressiva do tempo e me apressando para viver nessa única vida que eu tenho.
O poder da intencionalidade
Se eu pudesse voltar no tempo e dar um único conselho à Tatiane de 20 anos, este seria: “Seja intencional, menina!”
Seja intencional ao escolher amigos, amores e como você gasta cada preciosa hora de vida. Escolhas são como juros compostos.
Veja, eu acredito na ideia do “Deixa a vida me levar”. É preciso dar espaço para o inesperado. Mas quando se tem objetivos bem definidos, não ter absolutamente o menor direcionamento pode ser um baita tiro no pé.
É aquela história, quando não se sabe para onde se vai, qualquer caminho serve. Mas e quando a gente sabe para onde quer ir? Estradas tortas podem roubar uma energia danada e nos desvirtuar do que a gente quer para a gente.
Em 2025, a minha palavra do ano foi constância. Acho que melhorei e ela precisa continuar me acompanhando. Para 2026, a minha palavra escolhida é “intencionalidade”.
Em 2026, eu vou:
✔︎ Perguntar “por quê?” antes de dizer sim: isso me aproxima ou me afasta da vida que eu quero ter?
✔︎ Ser (ainda mais) criteriosa com quem anda comigo. Amizades, amores, parcerias, ambientes: tudo nos influencia mais do que a gente gosta de admitir.
✔︎ Proteger tempo como quem protege dinheiro. Horas não são reembolsáveis. Gastar sem pensar sai caro no longo prazo.
✔︎ Ter clareza do que eu quero agora (não para sempre). Objetivos podem mudar. Falta de direção só desgasta e faz a gente nadar, nadar, nadar e morrer na praia.
✔︎ Aceitar o inesperado, mas não viver no automático. Deixar a vida fluir é diferente de deixar a vida (e os outros) decidirem por mim.
✔︎ Revisar escolhas com honestidade. Intencionalidade não é rigidez; ela é necessária para que a gente chegue onde quer chegar, desde aos pequenos objetivos até as ambições mais audaciosas.
Faça uma boa semana e um 2026 intencional.
Bisous e até o próximo sábado,
Tati



Tati, dia 07 eu fiz 43 anos. A idade vem pesando por aqui. Mais cabelos brancos, pele mais seca e flácida, um ventinho de perimenopausa no ar. Nesses dias senti a melancolia de não ter feito várias coisas que gostaria, também senti a juventude indo embora. Minhas amigas casadas e com filhos e eu ainda morando com minha mãe, terminando uma relação que não me faria bem e sem saber para onde sonhar. Nessa semana ando olhando pra mim e me pedindo paciência, silêncio e o básico da vida. Acordo, cuido do que como, faço minhas atividades físicas, trabalho, silencio. Sem muita pressa para redescobrir o meu caminho. A idade também nos ensina muitas coisas. E só vivendo a gente entende elas. Beijos no coração.
Também fiz quarenta em novembro e foi diferente, mais leve, me senti sem chão aos 30. Percebo também que não tenho mais tempo a perder, principalmente em relação a vida profissional. É hora de dedicar e mergulhar para colher os frutos que venho plantando. Mas dar check em tudo não pode ser uma meta, como psicanalista digo, a vida sem desejo é uma vida morta!